Armorial
Uma das movimentações e manifestações artísticas mais importantes da história de Pernambuco foi o Movimento Armorial, uma iniciativa artística cujo objetivo seria criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Para tanto, buscava convergir e orientar todas as formas de expressões artísticas. Isso inclui música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, todas as formas artísticas presentes no mundo moderno.
Falando sobre as origens do movimento, o escritor Raimundo Carreiro, que participou da fundação do movimento junto a Ariano, entende que o momento fundador do Movimento Armorial foi a publicação do romance de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, em 1971.
Houve uma grande
repercussão no meio literário brasileiro com a publicação do romance e isso
teria servido para popularizar todo o restante do trabalho coordenado por
Ariano. O Movimento Armorial surgiu, portanto, sobre a inspiração e direção de
Ariano Suassuna, com a colaboração de diversos artistas e escritores da região
nordestina e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para
Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco, a UFP.
Teve início no âmbito universitário, mas ganhou
apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de
Pernambuco. Foi lançado oficialmente no Recife em 18 de outubro de 1970, com a
realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas na Igreja de São
Pedro dos Clérigos, localizada no centro da cidade. O Instituto Brincante,
espaço cultural criado pelo artista Antônio Nóbrega, era chamado por Ariano de
consulado do Movimento Armorial.
O Brincante buscava difundir uma espécie de
corpo popular brasileiro, forjado nas andanças de Nóbrega pelo Nordeste. O
Movimento Armorial tinha a pretensão de realizar uma arte nacional erudita
baseada nas raízes populares da cultura nordestina e, assim sendo, convergir
diversas artes para esse fim. Segundo Suassuna, Senda Armorial é um conjunto de
insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo.
A heráldica (brasão) é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo, o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes brasileiras.
Pintura, música, literatura, cerâmica, dança,
escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema forma o Movimento Armorial. Uma grande
importância é dada aos folhetos do romanceiro popular nordestino, a chamada
literatura de cordel, por achar que nele se encontra a fonte de uma arte e uma
literatura que expressam as inspirações e o espírito do povo brasileiro. Além
de reunir três formas de arte em um único gênero, as narrativas de sua poesia,
a xilogravura que ilustra suas capas, da qual o principal representante no
movimento é o artista Gilvan Samico, e a música, através do canto de seus
versos acompanhados por Viola ou Rabeta.
São também importantes para o Movimento Armorial os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens piscipescas feitas a partir de farrapos, músicas e animais misteriosos como o boi-bumbá e o cavalo-marinho.
O mamulengo, ou teatro de bonecos nordestinos, também é uma fonte de inspiração para o movimento, que procura, além da dramaturgia, um modo brasileiro de encenação e representação.
Mas quem eram os integrantes desse movimento? São eles, Marcos
Ascioli, Antônio Carlos Nóbrega de Almeida, Cúrcio de Almeida, Fernando José
Torres Barbosa, Aluísio Braga, Francisco Brenan, Edson Aulalio Cabral,
Maximiano Ascioli Campos, Capiba, Raimundo Carreiro, Antônio José Madureira,
Ângelo Monteiro, Fernando Lopes da Paz, Clóvis Pereira, Gilvan Samico, Miguel
Domingo dos Santos e Ariano Suassuna.
Houve também muitos grupos que fizeram parte do movimento, como o Quinteto Armorial, a Orquestra Armorial, a Orquestra Romançal Brasileira e o Balé Armorial do Nordeste. (VEJA PLAYLIST ARMORIAL)
BRICANTE Direção Walter Carvalho


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