Palestina, musa nossa
Palestina, nossa musa
Sliman Mansour







Sliman Mansour e a arte palestina no campo de batalha
Nascido há 76 anos em uma das poucas cidades palestinas cristãs que restaram, localizada no centro da Cisjordânia, Sliman Mansour é um proeminente artista palestino e destaque entre os seus pares contemporâneos. Começou a desenhar muito jovem e, mais tarde, um tutor alemão em um internato em Belém notou seu talento, incentivando o jovem a se aprofundar na pintura e a inscrever seus trabalhos em concursos de arte.
Conhecido como “o artista da Intifada”, Mansour esteve no Brasil em 2002, quando participou da 25ª edição da Bienal de São Paulo, e foi um dos ganhadores do Prêmio Unesco-Sharjah para a Cultura Árabe, em 2019. O artista plástico, autor, escultor e cartunista também recebeu os prêmios da Bienal do Cairo em 1998 e o Prêmio Palestino de Artes Visuais em 1998.
Mansour utiliza o pincel e o fazer artístico como recurso para a transformação revolucionária da Palestina. Em suas obras, ele carrega a bandeira de um povo colonizado, resistente e envolvido numa ocupação militar sem tréguas e regras. Sua arte é permeada por essa realidade, enfatizando a beleza e riqueza das cores e criando um conceito de trabalhar com o barro usando terra palestina e com o produto passou a esculpir e pintar.O artista começou a utilizar essa matéria prima em 1987, durante a Primeira Intifada. A escolha do peculiar material veio da necessidade de resgate da ancestralidade feminina, que utilizavam utensílios de barro em casa. O uso do barro palestino permitiu que ele capturasse a essência das raízes palestinas, contrastando com a fragmentação do cenário político e geográfico – ecoada nas rachaduras que se desenham na lama à medida que seca. Outros materiais naturais são utilizados, como café e feno.
Assim, ele utiliza a arte como parte da resistência. O pincel é a sua arma e estabelece a relação entre povo e terra, entre história e cultura no seu trabalho artístico. Mansour ambiciona contar a história palestina ainda viva, enquanto cria arte dos acontecimentos. Suas obras mostram um artista que se apega a um desejo de vida e autodeterminação do seu país, e cidades que são verdadeiras prisões a céu aberto, semelhantes a guetos de Varsóvia. Pensando em cada detalhe da experiência artística em vez de desenhar a terra, resolveu desenhar com a terra. Nas exposições, as pessoas sentem o seu trabalho – sentem a herança palestina, pelo toque, cheiro, com os sentidos.
Fonte: https://www.monitordooriente.com/20231118-sliman-mansour-e-a-arte-palestina-no-campo-de-batalha/

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