Pachamama, de Eryk Rocha

 


Filme brasileiro importante sobre a luta por Pachamama

Logo em seu início, Eryk Rocha explica as regras do jogo. Este é um filme de estrada, no qual ele mesmo opera a câmera, pela primeira vez. O longa deve ser montado durante a viagem. Assim, Pachamama se mostra afinado a uma noção cara às instalações: o dispositivo, uma estratégia (de filmagem ou narrativa), uma "maquinação", uma lógica que institui condições, regras, limites para que o filme aconteça. Cada vez mais presente em documentários, essa estratégia é fundamental nos trabalhos de Cão Guimarães, Eduardo Coutinho, Kiko Goifman, e se faz presente aqui. Rocha dá largada a um movimento que produz um acontecimento não dominado por ele. E assim, o filme caminha entre o domínio das bases deste movimento e uma extensa falta de controle em relação aos efeitos e eventuais acontecimentos que possam surgir.

Aos poucos, Pachamama recolhe sinais de uma América do Sul em transformação. A câmera opera como uma extensão do corpo do cineasta. Ela respira, descobre, duvida. Em suas imagens, as paisagens expressam estados de espírito. O som as amplifica. A montagem combina transmissões radiofônicas e televisivas, música e falas. Muitas falas. Pachamama é um documentário de questionamentos, se faz no embate do cineasta (e sua câmera) com a população anônima das ruas. Rocha circula pela multidão, aponta a objetiva para pessoas comuns que tecem os mais variados comentários e reflexões. Assim como em Rocha que voa e Intervalo Clandestino, o documentarista desprivilegia a figura do entrevistado em prol de seu discurso. Em sua forma essencialmente desarrumada, o filme registra a desarticulação das falas de pessoas apanhadas na rua (num discurso simultâneo ao pensamento). O cineasta não está preocupado com a construção de um continuum de vozes, de um todo social complexo, e tampouco faz comentários a respeito do que filma.

 

Por que assistir?

O périplo de Eryk Rocha pelo interior de nações latinas, junto a uma equipe mínima de filmagem, deixa que o acaso impregne os registros, o que acarreta momentos de pura contemplação (de paisagens, de rostos, de estradas) e outros de eventuais confrontos de palavras e corpos postados diante da câmera. A ambição de “pensar o Brasil” acaba por se dissolver num “sentir o Brasil” a partir de perspectivas de dentro e de fora.

direção, fotografia câmera e roteiro Eryk Rocha

montagem Eryk Rocha e Eva Randolph

direção de fotografia Eryk Rocha

som direto Daniel Chaves e Rafael Pinheiro de Araújo

música Aurélio Dias

desenho e edição de som e mixagem Aurélio Dias

produção executiva Leonardo Edde e Daniela Martins

produtores associados João Carlos Nogueira e Laboratório do Tempo Presente / UFRJ

desenho sonoro e trilha sonora Aurélio Dias

consultoria histórica Francisco Carlos Teixeira da Silva

assistente de direção Juan Posada

produção Urca filmes e Aruac Produções

produtor associado João Carlos Nogueira

assistente de montagem Cecilia Pestana e Raquel Gandra

assistente de produção executiva Juliana Capelini

produtor de finalização Juca Diaz

produtor de finalização de som Maria Byington

tradução de quíchua Josefina Crespo de Aranibar

tradução de aimara Alvaro Cristian

distribuição VídeoFilmes

filmado em janeiro e fevereiro de 2007 no Brasil (Porto Velho, Abunã, Rio Branco e Assis Brasil), Peru (Iñapari, Puerto Maldonado, Mazuko, Cactcca, Ocongate, e Cuzco) e Bolivia (El Alto, La Paz, Potosí, Santa Cruz de la Sierra). Brasil, 2008.

 

Filme completo:

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