Especial: a Ditadura no Brasil

 Um resumo sobre o golpe em Brasil realizado pelo canal argentino



Mujica sobre Darcy, chefe da Casa Civil do Governo de Jango:


Marcos Arruda

Marcos, eu queria saber o que eu faço pra aguentar a tortura? Essa pergunta me fez teorizar o que eu tinha vivido até aquele momento. E eu falei pra ele: primeira coisa, se você não tiver um amor no coração e não na cabeça; um amor pelos teus companheiros operários, pela classe trabalhadora, pelas pessoas; não pela classe abstrata, mas pelas pessoas humanas, que você conhece, admira, respeita e ama. Se você não tiver esse amor, vai ser difícil aguentar. Porque o compromisso racional é muito fraco. Vêm à tona um monte de tentações racionalizantes na hora: “se você sobreviver, você vai continuar na luta, então faça tudo pra sobreviver, não importa o quê”. Isso quer dizer: entregar outros. E aí é que deve vir um contraponto que vem daqui debaixo, do coração, que diz assim: você não pode entregar ninguém. E se você morrer, outros vão continuar. É mentira do torturador que "a tua guerra acabou". Não há "a tua guerra". A guerra não é minha! É do povo brasileiro! É do povo do mundo contra a opressão e pela liberdade!





Tu sabes,

conheces melhor do que eu

a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.

Eduardo Alves da Costa

Quase sempre é atribuído ao poeta soviético Vladimir Maiakovski (1893-1930), traduzido, supostamente, por algum militante comunista anônimo. Outras vezes, está creditado a Gabriel García Márquez, Bertolt Brecht ou Wilhelm Reich. O autor, no entanto, é um brasileiro, hoje com 83 anos, que viveu intensamente a vida cultural naqueles anos de chumbo. Um poeta marginal da Pauliceia. Um beatnik tupiniquim. Ievtuchenko da Boca do Lixo. Seu nome: Eduardo Alves da Costa, o homem que teve um poema “roubado” por Maiakovski.


El teatro de Boal y la pedagogía de Freire, por caminos distintos, alientan al oprimido a construir su propia visión del mundo y a tener una experiencia estética original e inclusiva, para que pueda liberarse de la dominación del opresor.

El Teatro del Oprimido es un método estético creado por el teatrólogo brasileño Augusto Boal, cuyo objetivo es la superación de injusticias. El Teatro del Oprimido podría ser llamado «teatro del diálogo», pues promueve el intercambio de experiencias entre actores y espectadores, a través de la intervención directa en la acción teatral, para conducir a un análi-sis de la estructura de los conflictos que se abordan o se intentan representar. 

Boal empezó a actuar con no-actores (o actores naturales) en sindicatos, iglesias y centros culturales, para desarrollar medios de análisis de la realidad y de comunicación con la sociedad. «Con La excepción y la regla empiezo a pensar en los actores que somos todos nosotros, todos los días, y en la teatralidad de nuestras vidas» (Boal 2013).Ante la censura impuesta por los militares, paralela-mente surge el «teatro periodístico», como respuesta estética. Esta técnica intentaba revelar lo que se había sustraído o manipulado en las noticias, crear imágenes para visibilizar ausencias, producir sonidos y ritmos para destacar silencios, y repetir titulares para desmontar trampas, entre otras formas estéti-cas de denuncia de las distorsiones producidas por la censura.

Com o Teatro Jornal, Boal conseguiu enganar a censura em voga na épocaComo sabemos, todas as peças deviam passar pelo crivo dos censores. Com as peças do Teatro Jornal era difícil proibir a apresentação, pois eram encenadas as notícias publicadas nos grandes jornais da época, ou seja, elas já haviam passado pela peneira rígida da censura e tinham sido aprovadas para a publicação. Claro que os atores e as atrizes conseguiam mostrar o que estava escondido por trás das notícias durante as apresentações, pois esta era justamente a intenção de Boal.


Você dividia a cela com outros artistas e intelectuais?

Eu não. No xadrez de Gil estavam alguns nomes da cultura brasileira, como o poeta Ferreira Gular, o escritor Antônio Calado, o jornalista e romancista Paulo Francis. Geraldo Vandré era procurado. Os militares tinham um ódio violento dele por causa daquela canção Pra não dizer que não falei das flores, que falava de "soldados armados, amados ou não". Eu estava com líderes estudantis, rapazes vinculados à Igreja Católica, mas de esquerda. O Gil estava numa cela melhor porque tinha diploma, ele podia até ter violão. O sofrimento era grande. A minha mulher [Dedé Gadelha] não sabia onde eu estava. Ninguém da minha família sabia. Eu fui sequestrado, estava desaparecido. E já fazia um mês.



Vozes femininas reivindicando uma outra história

  


Milagre dos Peixes de Milton Nascimento

 

 

Em 1973, Milton Nascimento estava gravando seu disco MILAGRE DOS PEIXES, quando recebeu notificação da Censura Federal a respeito da interdição de três faixas: “Cadê”, “Hoje É Dia de El Rey” e “Os Escravos de Jó”. A resistência veio na forma de gravar as canções apenas com sua parte instrumental. Em vez das letras, Milton faria vocalises, algo que sempre fez muito bem. Das três, a gravação de “Escravos” é a mais arrebatadora, com participação de Clementina de Jesus em meio a um coro de vozes que apenas canta a melodia. O último verso foi cantado pela veterana sambista de modo quase ininteligível: “Saio do trabalho, ei/Volto para casa, ei/Não lembro de canseira maior/Em tudo é o mesmo suor”.






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